Acústicas ou Semi-acústicas?

Esses dias estive estudando e comparando guitarras acústicas e semi-acústicas e me deparei com um grande dilema virtual e literário em torno desse assunto. Qual ou quais as principais diferenças entre elas? Existe? Não é tudo a mesma coisa?

Por isso, a intenção desse post é de esclarecer as principais diferenças entre esses dois tipos de construção de guitarra.

Em primeiro lugar, já começa com o termo guitarra (guitar) que, para o resto do mundo identifica tanto guitarra quanto violão – termo que só nós utilizamos na língua portuguesa. Vejam os significados dos termos em inglês por exemplo:

Electric Guitar (Solid Body): Guitarra

Electric Guitar (Hollowbody): Guitarra Acustica

Electric Guitar (Semi-Hollowbody): Guitarra Semi-Acustica

Acoustic Guitar: Violão

Acoustic-Electric Guitar: Violão Eletro acústico

Trataremos aqui a guitarra acústica como guitarra. Violão é outro assunto…

A principal diferença entre os dois tipos em questão é que as GUITARRAS ACÚSTICAS são totalmente OCAS enquanto as SEMI-ACÚSTICAS possuem uma parte OCA e outra SÓLIDA.

Vamos analisar cada uma delas…

GUITARRAS ACÚSTICAS


Gibson ES-150 Electric Spanish

Este é o primeiro modelo de guitarra acústica que foi introduzido ao mercado pela Gibson em 1935. Com a intenção de se amplificar o som dos violões que acompanhavam as Big Bands em meados dos anos 20, a guitarra acústica nada mais foi do que uma evolução do violão: caixa toda acústica – com uma estrutura interna um pouco diferente para que pudesse sustentar melhor o peso das cordas, tampo abaulado, bocas em “F” (f-holes) captadores agregados ao tampo, uma ponte apenas apoiada a esse tampo abaulado (ou arch top) e um cordal para segurar as cordas sem que essas pudessem exercer uma maior pressão sobre este tampo.

Guitarra muito utilizada por Charlie Christian, guitarrista de jazz, o qual popularizou o uso da guitarra acústica e fez com que o captador levasse seu nome.

Nessa mesma época, entre 1932 e 1935 a Rickenbacker também idealizou um modelo parecido com o da Gibson:

The Rickenbacker Electro Spanish

Veja abaixo a estrutura de uma guitarra acústica:

Muito parecida com a estrutura de um violão: inteiramente oco, formada por tampos frontal e traseiro, faixa lateral, fundo, mas com relevo no tampo frontal e traseiro.

A Gibson, na década de 40, desenvolveu diversos modelos de guitarras acústicas da série ES com um, dois e até três captadores. Saiba mais sobre os diversos modelos.

Com o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, devido ao desenvolvimento tecnológico, a ampliação de recursos de comunicação entre outras consequências que colaboraram para o crescimento industrial, outras marcas passaram a desenvolver guitarras acústicas: Guild, Gretsch, Epiphone (posteriormente comprada pela Gibson – 1975).

GUITARRAS SEMI-ACÚSTICAS

Gibson ES-335TD

Este é o primeiro modelo de guitarra semi-acústica que foi introduzido ao mercado pela Gibson em 1958. Nesta época, o desafio era acabar com o feedback (microfonia) causada pela cavidade acústica com o instrumento amplificado e mesmo assim manter a característica sonora de um instrumento acústico. Seguindo a mesma concepção dos modelos acústicos – aberturas sonoras em F, tampo abaulado, e cavidades acústicas – o tipo de construção do corpo passou a possuir também um bloco maciço na parte central tanto para apoiar captadores, pontes quando para diminuir o feedback da guitarra.

Veja abaixo a estrutura de uma guitarra acústica:

Corpo com um bloco central sólido, faixas laterais, tampo frontal abaulado (arch top) e traseiro – mais finos em relação à acústica. Permite a instalação de pontes fixas no bloco maciço.

Nesta época, diversas empresas de instrumentos musicais já estavam trabalhando com guitarras acústicas, semi-acústicas, sólidas e semi-sólidas (estas possuem maior massa de madeira – mais do que o bloco central das semi-acústicas – e pequenas cavidades ocas em seu interior – com aberturas sonoras no tampo).

Para conhecer mais sobre guitarras acústicas e semi-acústicas

•Internet:

Benedetto

Epiphone

D’Angelico

Bill Comins

Holst

Guild

Gretsch

Rickenbacker

Harmony

Grimshaw

Hofner

•Livros:

Bacon, Tony. The Ultimate Guitar Book, (DK) Dorling Kindersley Publishers, 1993.

Bacon, Tony. Totally Guitar: The Definitive Guide, Thunder Bay Press, 2004.

Denyer, Ralph. Toque: Curso Completo de Violão e Gutiarra. Rio Gráfica, 1983.

Pauleira

Paula Bifulco é luthier formada pela B&H Escola de Luthieria. Sagitário, gosta da cor roxa e seu ídolo nas guitarras é Brian Setzer. É do seu capricho no trato dos instrumentos musicais e da vontade de dividir seus conhecimentos que nasceu o blog pauleiraguitars.com

8 comentários em “Acústicas ou Semi-acústicas?

  1. parabens!! me  ajude: gosto dos tibres de semiacusticas  e escalas  mais plana , apesar de ter strato (quero mudar) que quitarra solida vc,  me indica pata toca jazz, abs irmão

  2. Oi Paula, tudo bem?

    Tenho uma Blues 3000 da tagima… o que posso fazer pra dar uma melhorada nela? comprei tarraxas vintage green da wilkinson… mas nao atentei para a furação… nao sei se vai caber… e… o som dela nao tem me agradado.. é meio fechado… tem como deixa-lo mais aberto?

    abração!!! TOM

    1. Oi Tom, beleza?
      Tarraxa vintage geralmente tem o eixo central menor que as blindadas…aí teria que fazer um enxerto para acertar as novas furações.
      Quanto ao som, tente uma nova configuração de captadores de acordo com o estilo que você toca.
      Os captadores da Malagoli são muito bons!
      Abs

  3. ola pauleira bem que não te chamava assim na bh
    eu fiz o curso de luthieria a uns 2 anos atras 
    e stou fazendo uma acustica em cedro-rosa qual seria um tampo bom para ela

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